VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS

by - dezembro 19, 2017

Hello everyone. Good night for all!

 Variações linguísticas são as diferenças que uma mesma língua apresenta quando é utilizada, de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas.
 Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde que cumpram com eficiência o papel fundamental de uma língua – o de permitir a interação verbal entre as pessoas, isto é, a comunicação.
 Toda língua natural tem suas variações, ou seja, passa por constantes mudanças através do tempo, assim como a tecnologia, por exemplo.
 No Brasil, esta variedade apresenta um alto grau de diversidade, não apenas por causa da grande extensão territorial do nosso país, mas também, pela grande diferença social e econômica, que coloca o nosso país no décimo lugar do ranking de países com a pior distribuição de renda atualmente.
 Estas variações linguísticas acontecem porque o princípio fundamental da língua é a comunicação, então é compreensível que seus falantes façam rearranjos de acordo com as suas necessidades comunicativas. Contudo, todas as variações devem ser encaradas como fator de enriquecimento e cultura e não como erros ou desvios.
 Quando tratamos as variações como erro, incorremos no preconceito linguístico que associa, erroneamente, a língua ao status.
 As variações linguísticas acontecem porque vivemos em uma sociedade complexa, na qual estão inseridos diferentes grupos sociais. Alguns desses grupos tiveram acesso à educação formal, enquanto outros não tiveram muito contato com a norma culta da língua.
 A gramática é um compêndio de regras importantes para a manutenção do idioma. Imagine se não tivéssemos um manual ao qual pudéssemos consultar na ocorrência de uma dúvida? Imagine se as regras não existissem e, por esse motivo, cada falante resolvesse estabelecer suas próprias normas? Viveríamos em uma verdadeira “torre de Babel”, e nossa língua portuguesa estaria fadada ao esquecimento. Quando falamos em preconceito linguístico, não estamos propondo que os falantes rasguem a gramática, mas sim que considerem as duas modalidades do idioma: oral e escrita, assim como a existência de uma língua culta e de uma língua coloquial. Dizer que alguém “fala errado” desconsidera diversos fatores extralinguísticos, como as variações existentes em cada comunidade, cada região, cada contexto cultural.
 Portanto, nada de ficar apontando os “erros” dos outros falantes, lembre-se de que existem outros contextos culturais diferentes do seu. O brasileiro sabe sim falar português, ou, a comunicação não existiria entre nós e a nossa língua seria uma língua morta. Ninguém sairia por aí falando conforme a norma padrão (gramática): “amo-te”, e sim “te amo”. Certamente perderíamos a espontaneidade da fala, sem contar que a dinamicidade da comunicação seria prejudicada.


 Sugestão de leitura para conhecer mais sobre o assunto "Preconceito Linguístico - o que é, como se faz", de Marcos Bagno.

  " Diz-se que o 'brasileiro não sabe Português' e que 'Português é muito difícil'. Estes são alguns dos mitos que compõem um preconceito muito presente na cultura brasileira: o linguístico. Tudo por causa da confusão que se faz entre língua e gramática normativa (que não é a língua, mas só uma descrição parcial dela). Separe uma coisa da outra com estre livro, que é um achado. "
Revista Nova escola, maio de 1999.


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