PERFIS LITERÁRIOS: CLARICE LISPECTOR

by - junho 06, 2018

Clarice Lispector foi uma das mais destacadas escritoras da terceira fase do modernismo brasileiro, que também era chamada de “Geração de 45”. Ela recebeu diversos prêmios, dentre eles o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal e o Prêmio Graça Aranha.
Haya Pinkhasovna Lispector, seu nome de batismo, nasceu em Tchetchelnik, Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920. Chegou ao Brasil ainda bebê (mais aproximadamente com um ano e dois meses de idade). Os seus pais que se chamavam Pinkouss Lispector e Mania Krimgold Lispector estabeleceram-se primeiramente em Maceió-AL e após em Recife-PE.
Clarice estudou várias línguas (português, francês, hebraico, inglês, iídiche) e teve aulas de piano. Era boa aluna na escola e gostava de escrever poemas. Em 1930, após a morte de sua mãe, Clarice termina o terceiro ano primário no Collegio Hebreo-Idisch-Brasileiro. Mais tarde, sua família vai viver no Rio de Janeiro e, em 1939, com 19 anos, ela ingressa na Escola de Direito da Universidade do Brasil e começa a dedicar-se totalmente à sua grande paixão: a literatura. Fez curso de antropologia e psicologia e, em 1940, publica seu primeiro conto, intitulado “Triunfo”.
No mesmo ano, após a morte de seu pai, Lispector começa a sua carreira de jornalista. Já nos anos seguintes, ela trabalha como redatora e repórter na Agência Nacional, no Correio da Manhã, no Diário da Noite, entre grupos editoriais.
Em 1943, ela casou-se com o Diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos, sendo um deles afilhado do escritor Érico Veríssimo. Quando o marido passou a exercer a carreira diplomática, ela passou a acompanha-lo em suas viagens ao exterior. O casal morou na Itália, Inglaterra, Estados Unidos e Suíça. O relacionamento durou até 1959, quando resolveram se separar e com isso Clarice retorna ao Rio com os seus filhos.
Algumas de suas principais obras: Perto do Coração Selvagem, A Maçã no Escuro, A Paixão Segundo G. H., A Cidade Sitiada, A Legião Estrangeira, A Hora da Estrela e Água Viva.
Sendo a obra mais conhecida e requisitada em vestibulares brasileiros, e uma das mais importantes obras da Literatura Brasileira “A Hora da Estrela”, publicada no ano de 1977, conta a história da emigrante nordestina Macabéa por meio do narrador, Rodrigo S. M., alter ego da escritora. Antes de começar a contar a história de Macabéa, o narrador abre o romance com uma dedicatória. Nela, o ele faz uma profunda reflexão sobre o ato de escrever. Ele sabe que a palavra tem papel fundamental não só na escrita, mas no mundo. A linguagem é tratada como performática, isso quer dizer que ela encerra dentro de si o poder da ação: "tudo no mundo começou com um sim". Com a consciência do poder da palavra, o narrador começa uma série de questionamentos sobre o ato de escrever e como contar a história de Macabéa.
Rodrigo S. M. nos diz ao longo de todo o romance que existe um senhor tocando violino na esquina. A música faz parte essencial da estória, como aquilo que não pode ser dito, apenas sentido. O narrador mantém um papel essencial ao longo de todo o romance, e não apenas na dedicatória. Macabéa é uma pessoa simples, com pouca consciência de si mesma. Ele aparece como um mediador dos assuntos internos de Macabéa. Em um movimento que vai do seu psicológico para o da personagem e vice-e-versa, ele consegue criar uma teia complexa de sentimentos e pensamentos em um personagem aparentemente simples.
Esse movimento também serve para que o narrador desenvolva os seus próprios conflitos internos e exponha questões sociais que geralmente não têm espaço nas obras de Clarice Lispector. O narrador Rodrigo S. M. diz não pertencer a nenhuma classe social, mas reconhece em Macabéa a precariedade das populações mais pobres.
Macabéa é nordestina como o narrador e como a autora, que nasceu na Ucrânia mas cresceu em Recife-PE. O narrador sente por Macabéa a proximidade da origem, mas a vida deles no Rio de Janeiro-RJ é muito diferente. A relação entre o narrador e a personagem acaba sendo um tema central no livro.
O livro é, acima de tudo, uma reflexão sobre o exercício da escrita e do papel do escritor. Clarice Lispector sempre foi tida como uma escritora “difícil”. Nesta obra, ela nos mostra como seu processo criativo é complexo, justificando um pouco o conteúdo. A Hora da Estrela é a grande reflexão sobre a escrita e sobre o papel do escritor. Sobre os limites do narrador e do próprio ato de narrar.
O drama “A Hora da Estrela” ganhou diversos prêmios: Festival de Berlim (1986), Festival de Brasília (1985) e Festival de Havana (1986). Dirigido por Suzana Amaral, a obra de Clarice foi transformada em longa metragem no ano de 1985.








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